PERCEPÇÃO DE IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS E A GESTÃO COSTEIRA: ESTUDO DE CASO EM UMA COMUNIDADE DE PESCADORES NO LITORAL SUL DE SANTA CATARINA, BRASIL

Autores

  • Carlyle Torres Bezerra de Menezes Universidade do Extremo Sul Catarinense
  • Gianfranco Ceni Universidade do Extremo Sul Catarinense http://orcid.org/0000-0001-6236-1221
  • Miriam Conceição Martins Universidade do Extremo Sul Catarinense
  • José Carlos Virtuoso Universidade do Extremo Sul Catarinense

DOI:

https://doi.org/10.19177/rgsa.v8e32019457-481

Palavras-chave:

Comunidade Tradicional, Impactos Socioambientais, Mineração de Carvão, Recursos Hídricos

Resumo

A grande concentração populacional nas regiões costeiras do Brasil, resultado da falta de planejamento territorial, gera uma ocupação predatória que leva a graves desequilíbrios socioambientais. A degradação dos ecossistemas costeiros, com supressão da flora nativa, contaminação de solo e dos recursos hídricos, traz à tona a situação de insustentabilidade, acarretando significativos impactos às comunidades, notadamente às tradicionais. Nesse contexto, enquadra-se o estuário da Bacia do rio Urussanga, situado na interface entre a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca e a localidade de Barra do Torneiro (Jaguaruna/SC), litoral Sul de Santa Catarina. Área historicamente utilizada para as atividades da pesca artesanal, que ao longo do tempo recebeu impactos diretos de atividades econômicas de várias matrizes, sobretudo, aquelas oriundas da mineração de carvão. Esta degradação resultou dentre outros aspectos na contaminação e assoreamento do rio Urussanga, devido ao carreamento de sedimentos compostos por metais pesados, entre outros poluentes em suspensão ou dissolvidos. Nesse estudo foram investigados os impactos socioambientais no estuário em questão, a partir da percepção ambiental de lideranças e representantes dos pescadores locais, através de pesquisa documental e de diagnóstico participativo. Pôde-se constatar que os pescadores remanescentes se encontram com as suas atividades precarizadas e em processo de extinção, seja pela dimensão ambiental dos impactos, devido à poluição do estuário, seja pela falta de políticas públicas voltadas para a valorização das populações tradicionais. Ao mesmo tempo, ampliam-se os problemas no território, face à ocupação desordenada crescente, destoante dos princípios básicos assegurados no Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, que preconiza o planejamento e a gestão ambiental na perspectiva da sustentabilidade.

Biografia do Autor

Carlyle Torres Bezerra de Menezes, Universidade do Extremo Sul Catarinense

Engenheiro de Minas pela Universidade Federal de Pernambuco e Doutor em Engenharia Mineral pela Universidade de São Paulo.

Gianfranco Ceni, Universidade do Extremo Sul Catarinense

Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Católica do Paraná (2008), Mestre em Biologia de Ambientes Aquáticos Continentais da Universidade Federal do Rio Grande (2010) e Doutor em Zoologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS (2015), com período sanduíche na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Possui experiência em estudos com peixes (ictiologia), interagindo com diversas vertentes investigativas: comparação entre amostradores, biologia reprodutiva, crescimento em idade, dinâmica e gestão pesqueira. Foi pesquisador pelo Programa Nacional de Pós-Doutorado (2015-2017) na Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, dentro do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais.

Miriam Conceição Martins, Universidade do Extremo Sul Catarinense

Graduação em Ciências Habilitação Biologia e Doutorado em Ciências da Saúde pela Universidade do Extremo Sul Catarinense

José Carlos Virtuoso, Universidade do Extremo Sul Catarinense

Possui mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais pela Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC (2004), no qual atualmente é aluno do doutorado. Graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (1985). Foi docente em vários cursos de graduação da UNESC (2003-2017), tendo exercido ainda a função de coordenador de Extensão da Unidade Acadêmica de Humanidades, Ciências e Educação (entre outubro de 2010 e julho de 2012). Presidiu a Comissão Permanente de Meio Ambiente e Valores Humanos (gestão 2015-2017). Atuou como docente dos cursos de graduação do Senac/Criciúma, nas disciplinas de Tecnologia e Desenvolvimento Sustentável e Comunicação Empresarial (2013). Presidiu o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Urussanga, SC, gestões 2012-2014 e 2014-2016, e foi coordenador geral do Fórum Catarinense de Comitês de Bacias Hidrográficas (2014-2016). Integrou o grupo de Pesquisa "Memória e Cultura do Carvão em Santa Catarina", tendo como objeto de pesquisa os danos socioambientais da atividade carbonífera na região sul catarinense. Integra atualmente o GP Gestão de Recursos Hídricos e Restauração de Ambientes Alterados, e participou das câmaras técnicas de Resíduos e Análise dos Impactos da Poluição Eletromagnética, junto ao Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema). Tem experiência em projetos de extensão com ênfase na gestão ambiental como instrumento de formação e educação ambiental. Também atua na área de Comunicação e Marketing e Meio Ambiente, trabalhando os seguintes temas: cultura, tecnologia, sociedade e meio ambiente; ética e responsabilidade socioambiental, marketing ecológico; marketing cultural e endomarketing; trabalhos colaborativos e motivação nas organizações. É professor nas modalidade presencial e a distância.

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Publicado

2019-10-03

Edição

Seção

Artigos